Palestra — Bloco 1 — 1o Congresso SBRCC
FAPD — Alopecia Fibrosante em Padrão de Distribuição. A condição limítrofe entre alopecia androgenética e líquen plano pilar que pode estar sendo subdiagnosticada em milhares de pacientes.
Conceito
Uma condição limítrofe e transicional que coexiste entre a alopecia androgenética (não-cicatricial) e o líquen plano pilar (cicatricial). Descoberta há 26 anos, na década de 2000, e ainda subdiagnosticada.
"Pensem numa poça de água na base daquele folículo. Algum gatilho inflamatório pouco elucidado até 2026 tem respingos nessa poça, atingindo a porção mais nobre do folículo. Quando atuamos no momento exato, conseguimos evitar dano irreversível."
Bulbo capilarCélulas-troncoInflamaçãoA grande pergunta da palestra: quantos pacientes estão sendo diagnosticados isoladamente com alopecia androgenética quando na verdade têm FAPD? A prevalência real pode ser muito maior do que se imagina, com gatilhos ambientais e inflamatórios ainda pouco elucidados.
SubdiagnósticoGatilhos ambientais"A partir de hoje vocês não vão esquecer mais. É uma sopa inflamatória na base daquele folículo."
Diagnóstico
O diagnóstico diferencial entre androgenética pura, líquen plano pilar e FAPD é feito pela tricoscopia. Três achados clássicos definem a FAPD.
Presente na FAPD (herdada da androgenética), ausente no líquen plano pilar puro. Quando vê abertura folicular + inflamação, suspeite de FAPD.
Componente androgenético da FAPD. Os folículos estão miniaturizados como na alopecia androgenética, mas com processo inflamatório associado.
"Memorizem essa tricoscopia: abertura folicular, miniaturização e um halo marrom na base do folículo." Este é o red flag que diferencia FAPD de androgenética simples.
Ausência de abertura folicular, tufos foliculares (fases crônicas), eritema na base, PAMP perifolicular. Sem miniaturização.
Sem aberturaTufosEritemaCombina os achados: abertura folicular + miniaturização (androgenética) + halo cinza/marrom + inflamação na base (líquen). Os dois mundos juntos.
Abertura + InflamaçãoMiniaturização + Halo"Sempre façam tricoscopia antes de indicar transplante." Um paciente que chega pedindo transplante pode ter FAPD ativa. O caso apresentado: paciente com aparência de androgenética simples — no tricoscópio, achados clássicos de FAPD.
Classificação
Leve a moderado. Fase inicial — tricoscopia mais difícil de diagnosticar, mas é onde o tratamento faz mais diferença. "Avançar é muito difícil de reverter."
Moderado. Pump folicular visível, inflamação persistente mesmo após tratamento tópico. Momento crítico de intervenção.
Avançado a muito avançado. Dano câmbio folicular após 12+ meses. "Uma inflamação gritando pra vocês" — visível até macroscopicamente.
Alerta
"O transplante capilar é gatilho inflamatório, sim. Ocorre uma disrupção da homeostase imunológica do folículo piloso pelo fenômeno de Koebner."
O próprio transplante pode ser o gatilho que piora a FAPD. A cirurgia causa trauma e inflamação no folículo — exatamente o que ativa o processo fibrosante. Contraindique transplante em FAPD ativa.
Trauma cirúrgicoGatilhoPacientes com FAPD ativa não devem fazer transplante. Tratar a inflamação primeiro, estabilizar por meses, e só então considerar cirurgia. O risco é agravar o quadro irreversivelmente.
Protocolo
Protocolo multimodal com tópicos, sistêmicos e procedimentos. O objetivo é controlar a inflamação antes de qualquer intervenção cirúrgica.
Tópicos: Tofacitinib + Clobetasol
Sistêmicos 1a linha: Doxiciclina (3+ meses)
2a linha: Hidroxicloroquina
3a linha: Inibidores JAK orais
Adjuvante: Naltrexona
Mesoterapia: A cada 3 meses
Eletropermeação: Quinzenal
Exossomos: Terapia regenerativa
PRP: Plasma rico em plaquetas
Micro-laser: Complementar
Conclusão
Muitos pacientes com "androgenética simples" podem ter FAPD. A tricoscopia é obrigatória.
Não é uma coisa nem outra — é a coexistência. E pode estar sendo massivamente subdiagnosticada.
A tríade diagnóstica na tricoscopia. Memorize.
Operar FAPD ativa pode agravar irreversivelmente. Tratar primeiro, estabilizar, depois operar.
Quando tratada precocemente, a FAPD pode ser controlada. Quando avança, o dano é irreversível.
Tofacitinib + clobetasol, doxiciclina 3+ meses, mesoterapia trimestral, PRP, exossomos.